UNESP, 50 anos

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Livro mostra que a UNESP é fundamental para o dinamismo econômico dos 24 municípios paulistas em que está instalada. É a principal responsável pela interiorização do ensino superior.

Em 2026, a Universidade Estadual Paulista-UNESP está a comemorar 50 anos de existência. Criada em 1976 a partir da reunião de diversas faculdades públicas espalhadas pelo estado de São Paulo, passou longo tempo enfrentando dificuldades e desafios, derivados da ampla distribuição espacial de seus câmpus, da coexistência de cursos duplicados e do difícil contato entre seus professores. A Reitoria, sediada na capital do estado, foi um ponto de confluência administrativa e gestão, decisivo para que a UNESP se mantivesse em pleno funcionamento. Aos poucos, ela foi se consolidando e avançando em termos de pesquisa, ensino e prestação de serviços, sobretudo nas áreas em que maior é a sua expertise, como ocorre em Agronomia, Medicina, Engenharias, Odontologia, Farmácia Psicologia, Fisioterapia e Fonoaudiologia.

No correr dos anos, a UNESP vem dando expressiva contribuição aos municípios paulistas.  Disseminada por todo o Estado de São Paulo, desempenha um papel fundamental no dinamismo econômico das cidades onde seus câmpus estão instalados. Hoje está presente em 24 municípios. É a principal responsável pela interiorização do ensino superior, contribuindo bastante para o desenvolvimento regional.

O economista e professor da Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara (FCLar), José Murari Bovo, é um pioneiro na análise do impacto econômico e financeiro da UNESP nos municípios paulistas. Sua primeira pesquisa sistemática remonta a 1996, e foi atualizada em 2002, 2008, 2012 e 2022. Seu trabalho, portanto, acompanhou o crescimento da universidade. Como ele observa, “até a realização da primeira pesquisa em 1996, pouco se sabia sobre a importância e o significado da UNESP como fonte de dinamismo para a economia das cidades. E, no caso da Unesp, a explicitação dessa significado tornava-se mais estimulante dada a sua peculiar distribuição geográfica, com a existência de câmpus em várias cidades do estado. Hoje, não existe nenhuma cidade paulista que esteja a uma distância superior a 100 km de uma unidade da Unesp”.

A última dessas pesquisas, relativa ao ano de 2022, foi publicada no final de 2025: A UNESP e os municípios (São Paulo: Cultura Acadêmica Editora), com a coparticipação do professor Claudio Cesar de Paiva. Ela confirma plenamente, com gráficos e tabelas minuciosas, a importância das unidades da Unesp para as cidades e mostra que os efeitos dinâmicos se diversificaram. Isso ocorreu porque a Unesp cresceu. O número de cursos, vagas, alunos e prestação de serviços foi ampliado e, por consequência, aumentou o montante das despesas com pessoal, com custeio e com investimentos, reverberando no cotidiano municipal. Os recursos inseridos nas economias locais geram cerca de 8.300 empregos diretos e também se refletem em maior arrecadação de impostos como o ISS e o ICMS.

O desafio de gestão tornou-se maior e vem sendo enfrentado com firmeza. A UNESP, hoje, é uma importante fonte formadora de capital humano de excelência, ao mesmo tempo que seus desembolsos financeiros, seus servidores e alunos afetam diretamente o dinamismo econômico dos municípios em que está presente. O significativo impacto econômico deve ser agregado, ainda, à prestação de serviços às comunidades (atendimentos médicos, odontológicos, farmacêuticos, veterinários, fonoaudiológicos, psicológicos e fisioterapêuticos) e aos projetos de extensão, que repercutem no cotidiano das populações.

Assim como as demais universidades públicas brasileiras, a UNESP tem sido objeto de uma campanha sistemática de descrédito.  Acusações de improdutividade, de despesas elevadas, de privilegiamento dos mais ricos são feitas muitas vezes para que se argumente em favor do fim da gratuidade e da cobrança de mensalidades. A pressão segue contante, objetivando desacreditar e desqualificar o ensino superior público gratuito, alargando o caminho para à expansão do ensino superior privado que, nos últimos anos, tem crescido de forma expressiva liderado pelo capital estrangeiro.

Problemas evidentemente existem, como em qualquer empresa ou instituição. O financiamento público é sempre um enrosco. Despesas novas surgem o tempo todo. Há reformas a serem feitas, ajustes que tardam. Não faltam diagnósticos sérios e interessados no fortalecimento do ensino superior público. E a Reitoria está sempre em ação, escudada pelo Conselho Universitário.

Negar a relevância e o papel estratégico das universidades públicas de ensino e pesquisa é uma visão tacanha, alheia às necessidades do país. Além de serem fatores fundamentais de produção de conhecimentos e pesquisas, as universidades respondem por inovações técnicas que estimulam a atividade econômica e o bem-estar social. São fontes preciosas de educação, de formação profissional e de produção de conhecimentos científicos. Ou seja, de tudo aquilo que é essencial na vida hipermoderna em que vivemos.

Longa vida à UNESP!

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Marco Aurélio Nogueira
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